24
Jan 10

“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea porsopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amorfechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor éamor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

 

(Miguel Esteves Cardoso)

 

Sim, decidi voltar a estas bandas depois de tanto tempo :)

publicado por rn às 11:38

15
Mai 09

Ainda falta. Dizem e repetem. E o que é isso para todos os outros dias que passaram sem darmos contas. Os dias em que estava neblina e ríamos, os dias em que estava sol e ríamos mais. E depois pensamos, porque é que o tempo adora contrariar-nos e chegar mais cedo para acabar com aquilo que queremos que acabe mais tarde. Já não sei o que custa mais, se a presença se a ausência. Ficam marcados os melhores momentos, em oito meses. Oito de nada e oito de tudo. E o oito que ao contrário significa infinito, é aí que estão guardados, seja momentos seja pessoas.
De coração, falo por muitos.

publicado por rn às 14:06

03
Abr 09

Os sonhos estatelaram-se como copos que atirei à parede e se desfizeram em mil cacos e de repente vejo a minha vida em infinitos fragmentos de vidro iguais a nada, e então vou buscar uma vassoura daquelas pequenas que parecem de brincar e uma pá a condizer e tento apanhar os fragmentos infinitos e varro com cuidado, sabendo que atrás da porta, ou junto do rodapé, ou estranhamente projectado a mais de três metros, há um que me vai cortar mesmo o pé e, por mais que não queira, por mais que fuja, vou mesmo sofrer.

publicado por rn às 22:16

15
Fev 09

« Ambos perdemos.

Eu,

porque era a ti que eu mais amava.

Tu,

porque era eu que te amava mais.

Mas dos dois, quem mais perdeu foste tu.

Porque eu,

posso vir a amar outro como te amei a ti.

Mas a ti,

nunca ninguém te amará como eu te amei. »

publicado por rn às 15:29

12
Fev 09

O coração? Bate, bate muito. E se o coração bate, é porque não te odeia, é porque sabe que gosto de ti. @

publicado por rn às 11:38

08
Fev 09
Encontrei-te ali, enredado no meio de um remoinho de problemas que parecia estar à espera da primeira grande tempestade para desertar tudo à sua volta. Mas quis incentivar-te a lutar contra isso todos os dias. No fim, estava revoltada contra ti. Carecia de parte de ti, da demonstração da coragem e da força interior, e não o mostraste. Porquê? Não sei mas eu sabia que as tinhas. Já dei muito de mim por alguém, mas talvez, também nunca tenha dado o suficiente. Nunca dei tudo. Concluí que não eras tu a pessoa certa. Talvez ainda falte chegar essa pessoa. Não tivemos força para guardar o melhor e os melhores, não tivemos porque oferecemos ao ódio e à raiva a importância que eles nunca tiveram. Não me quero perder em palavras soltas que deixamos sair por falta de energia para serem presas cá dentro. Ao esquecermos tudo o que realmente era importante, tudo isso perdeu o espaço que era ocupado na tua e na minha vida. E não, não está certo.
publicado por rn às 14:13

25
Jan 09
Somos o que transmitimos e o que não transmitimos. Somos a primeira impressão. Somos os retratos que fazem da nossa aparência. Somos as histórias contadas de boca em boca. Somos as nossas acções, mas acima disso os nossos erros. Somos tudo o que aqueles que nos olham querem. Mas para nós, seremos sempre nós mesmos.
publicado por rn às 22:46
música: Limp Bizkit - Behind Blue Eyes

04
Jan 09

' Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta p'rò nada. '

 

O amor é tão longe, e a dor é tão perto.

publicado por rn às 13:41

29
Dez 08

O medo não cabia nela. Era um medo de perder não sabia o quê, de não conseguir escapar a um perigo, não sabia qual, de não poder defender-se, não sabia de que agressão. E então sentiu subir por si acima uma pressão violenta que parecia esmagar-lhe o peito e cortar-lhe a respiração. Queria fugir, mas não se moveu. E, de súbito, sem que a sua vontade nisso interviesse, soltou um grito terrível como se estivesse a afundar-se num grande mar e implorasse socorro.

publicado por rn às 20:17

Basta-me um pequeno gesto,

Feito de longe e de leve,

Para que venhas comigo

E eu para sempre te leve.

 

Poesia é arte :$

publicado por rn às 19:57

Janeiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

25
26
27
28
29
30

31


subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

links
blogs SAPO